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domingo, 22 de fevereiro de 2009


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Cabes todo na minha mão… o teu riso, o teu azul, as tuas sardas.
Fecho a minha mão com força e encosto-a ao meu peito. Que está quente, que pulsa ao sentir-te, que se arrepia ao pressentir-te. E fecho os olhos com força porque a dor se confunde com o prazer. E não aguento, toda essa força, toda essa urgência de sentir.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Hoje, sem querer, colou-se aos meus dedos uma foto tua.
Deu-me saudades de ti.
Da tua presença, da tua voz, dos teus olhos, da tua pele, dos teus cabelos ruivos.
Estás como estavas sempre. Serena, misteriosa, profunda e terrivelmente bonita.
Do lado de lá, olhas-me nos olhos sem o saberes… Com o verde de mil esmeraldas encerradas numa arca de tesouros.
Tranquilamente descansa nos teus braços a tua alma de gato… gentia, escura, traidora mas impossível de lhe resistir.
Fico a olhar-te de fora e invoco a tua presença.
Mergulho nos teus cabelos ruivos… Com os meus dedos transformo esses fios de fogo numa manta de retalhos que cobre o meu corpo, que invade o meu pensamento.
Esses fios de fogo queimam a minha pele e ferem, marcando a tua presença em mim, de uma forma inesquecível, impossível de calar o eco.
Esfrego o meu rosto no teu vermelho e na tua pele que cheira a talco, a mel, a afagos.
Que saudades… de te abraçar e gentilmente conservar a tua luz no meu peito. Que saudades de te sentir cá dentro a pulsar com muita força, como coração que batesse.
E o teu sangue, vermelho como o cabelo, preenche o azul das minhas veias e torna-as uma vez mais de fogo também.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Dás-me? Ou emprestas-me apenas esse olhar?
Eu sinto-o dado mas depois quando o desvias é roubado… de mim, porque já era meu. Pelo menos porque em mim morreu e aqui dentro a sua alma desmaiou.
O teu olhar é de gotas de água que desidrata quando o bebo. Porque é minha a água em que os teus olhos chovem. É minha a alma em que os teus olhos se pintam de azul.

domingo, 24 de agosto de 2008

Havia alguém


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Havia alguém que ficava comigo…
Tinha uns cabelos de noite e uma voz terna.
Ela baixava a cabeça para me segredar ao ouvido, a luz morria.
Ficava a lua e uma voz que cantava.
Falava-me de montanhas onde havia castelos, onde reis viveram.
Falava-me do mar e da terra,
Falava-me de um castelo pertinho do céu onde queria viver…

sexta-feira, 22 de agosto de 2008