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segunda-feira, 18 de maio de 2009

O António Joaquim


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Ilustração de Al Stefano
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"António Joaquim de Matos Rodrigues. Pequenino, com dois olhos redondos onde o sol morava.
Uma vez entrou na sala a correr. Levou a mão ao boso das calças e gritou: senhora! Uma coisa para si! E com mil cuidados, embrulhado num bocadinho de jornal, tirou então a prenda mais espantosa que me deram em toda a minha vida: uma asa de gafanhoto!
Foi o primeiro poema que li do António Joaquim."
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in Colectânea de textos infantis por Maria Rosa Colaço

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Testes de alunos do 1º Ciclo


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Ilustração de Tara Larsen Chang
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O que se segue foi retirado de um e-mail que um amigo me mandou. Decidi partilhar porque quando li ri tanto, tanto, que acho que já não preciso de fazer abdominais hoje. Os comentários entre parentesis não foram feitos por mim.

- O Papa vive no Vácuo (!?)

- Antigamente na França os criminosos eram executados com a Gelatina (pelomenos assim não doía tanto)

- Em Portugal os homens e as Mulheres podem casar. A isto chama-se monotonia. (é frustrante que até na 2ª Classe já pensem assim...)

- (A MELHOR) Em nossa casa cada um tem o seu quarto. Só o papá é que tem de dormir sempre com a mamã. (Um destino terrível...)

- Os homens não podem casar com homens porque então ninguém podia usar o vestido de noiva. (a ver vamos)

- Os meus pais só compram papel higiénico cinzento, porque já foi utilizado e é bom para o ambiente. (Que bom!)

- Adoptar uma criança é melhor! Assim os pais podem escolher os filhos e não têm de ficar com os que lhe saem. (Pois é, com os animais de estimação também funciona assim!)

- Adão e Eva viviam em Paris. (Sim, sim lá também é Paradisíaco)

- O hemisfério Norte gira no sentido contrário do hemisfério Sul. (Viver ao longo do Equador deve ser muito divertido)

- As vacas não podem correr para não verterem o leite. (Que bom saber isso)

- Um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima. (Nunca tinha pensado nisto!)

- Os douradinhos já estão mortos há muito tempo. Já não conseguem nadar! (Conseguem sim! No óleo da frigideira)

- Eu não sou baptizado, mas estou vacinado. (Esta tenho que ensinar aos meusfilhos!)

- Depois do homem deixar de ser macaco passou a ser Egípcio. (Mmm... isto ainda não sabia!)

- A Primavera é a primeira estação do ano. É na primavera que as galinhas põem os ovos e os agricultores põem as batatas. (Nunca mais como batatas)

- O meu tio levou o porco para a casota e lá foi morto juntamente com o meu avô. (Bem, se o avô já lá estava...)

- Quando o nosso cão ladrou de noite a minha mãe foi lá fora amamentá-lo. Senão os vizinhos ficavam chateados. (E assim como terão ficado?)

- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-los porcima da cabeça e com as pernas é a mesma coisa. (Acho que a mim aconteceriao mesmo às pernas)

- Um círculo é um quadrado redondo. (Esta é absolutamente fantástica!)

- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa de mais um dia e é sempre em Fevereiro. Não sei porquê. Talvez por estar muito frio.(Um génio!)

- A minha irmã está muito doente. Todos os dias toma uma pílula, mas às escondidas para os meus pais não ficarem preocupados. (Sem comentários)

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Enfim... as crianças são deliciosas!

terça-feira, 28 de abril de 2009



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Ilustração de Helena Simas
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Perdi um amigo.
Que ali estava sempre a meu lado, com as suas páginas repletas de letras para serem lidas. Um amigo de folhas novinhas que queriam ser mexidas, dedilhadas... E foram! Durante dias a fio percorri as letras, as palavras, as páginas, as folhas, que queriam ser lidas de uma ponta à outra. E as palavras íam enchendo a alma de personagens, dando-lhes um corpo, uma voz, um sentir, um querer ser. Íam aos poucos ganhando vida, afecto, amor... Até 3 dimensões! Foram crescendo e enchendo o meu quarto de risos, aventuras, lágrimas. E agora que já tenho o quarto cheio de gente com alma, ao virar a última página das suas vidas... O que é que lhes acontece?
E de cada vez que leio um bom livro, o sentimento repete-se. Quase que receio fazer mais amigos, pois tenho a certeza que no fim os perco...

quinta-feira, 12 de março de 2009

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Ilustração de Susanne Jansen
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Desenhos a carvão em fundo negro – para quê?
A magia não é ver, é sentir e saber.
Fechar os olhos, encontrar o clarão aqui dentro
e ser ofuscada com brancos tempestuosos de razão.
Sentir... percorrer o vazio, com a língua a sentir o frio.

sábado, 7 de março de 2009

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Ilustração de MEHRDOKHT AMINI
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Entrego-me,
deito-me no céu vazio, azul, intenso,
aguado de mar e sal e lágrimas e areia que dói quando se esfregam os olhos...
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Deito-me no vazio do céu, rasgando as nuvens, o vento,
as correntes quentes e frias que me lambem o corpo e agarram,
dilacerando e reabrindo golpes antigos.
Que já conheço, que já sei como doem, que arrisco de novo em senti-los...
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Desço numa estonteante viagem, que me acelera o coração e oprime-o com medo, tanto medo...
de não sentir as minhas asas a abrirem... de me aperceber em vão que porventura não as tenho.
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E vou querer que me agarres com dedos firmes e mãos fortes,
que vão saber a rochas que não se gastam com o vento.
Rochas de aço e não de areia...
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Nunca mais quero que me saibas a areia.
Essa escorrega-me pelos dedos e nunca a consigo agarrar...
ilusão de a prender, abrir as mãos e sentir o vazio, que me escorre,
como o azul que me emprestas do teu olhar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


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Ilustração de Nicoletta Ceccoli
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Vou cobrir-te de beijos ternos, doces… como pequenos afagos de vento.
Vou olhar-te com cuidado, demorar a minha vontade em ti, demorar o meu desejo em mim.
Vou enlear-te de seda colorida, fria, que te arrepia quando roça a tua pele.
Vou desenhar-te cores nos lábios, nos olhos, no teu corpo dourado de areia.
Vou descansar o meu corpo no teu… largar este peso como lastro sobre os teus ombros, o teu peito, a tua barriga, as tuas pernas.
Vou abraçar-te com força para que o meu existir derreta na tua pele
E que juntas passem a ser uma só.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Cabes todo na minha mão… o teu riso, o teu azul, as tuas sardas.
Fecho a minha mão com força e encosto-a ao meu peito. Que está quente, que pulsa ao sentir-te, que se arrepia ao pressentir-te. E fecho os olhos com força porque a dor se confunde com o prazer. E não aguento, toda essa força, toda essa urgência de sentir.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tim Burton, The Corpse Bride


Corpse Bride, Piano Duet


Corpse Bride, The final scene


Um bocadinho de um filme que eu achei simplesmente delicioso. Imagens fantásticas, fantasmagóricas e ternurentas. Adoro as cores contrastantes e eléctricas das ilustrações. Quem me dera desenhar assim :)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavras de sorte


Iustração de CLAUDIA EMANUELA COPPOLA
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Vou soprar para dentro da minha mão palavras de sorte…
Soprá-las com cuidado para que não se estilhacem nas muralhas dos meus dedos.
Depois vou fechar os olhos e sorrir com certezas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mudar de vida...



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Ilustração de Diego Fermin
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Já não é a 1ª, nem 2ª, nem sequer 3ª vez que dou por mim a mudar de vida... E faço as malas. Umas vezes encho-as de roupa, livros e fotografias. Outras vezes coloco lá dentro simplesmente sonhos, coragem, loucura, sentimentos... e muita vontade de ir.

Apercebo-me que o faço não só por necessidade, mas por ímpeto. Os dias que nascem sempre de forma igual durante muito tempo exasperam-me.

Pensei em actualizar o meu blogue e era sobre isto que eu ía falar. Desculpar um pouco a desactualização do meu blogue com a minha mudança de vida... Quando abri o meu blogue fui directamente espreitar a citação que lá estava... E dizia o seguinte:

"Não é na novidade mas no hábito que descobrimos os maiores prazeres"

Radiguet, Raymond

Mais uma vez não quis acreditar... O destino voltou a ser irónico comigo e no meu blogue já é a 3ª vez que isto acontece! Se calhar tenho uma lição a tirar com esta citação... Será?

Curiosamente a minha vida sentimental encaixa perfeitamente na citação de Raymond Radiguet... e ainda hoje não consigo perceber porquê.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Our deepest fear is not that we are inadequate...

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Ilustração de Brian Froud
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‘Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness, that frightens us most. We ask ourselves, ‘Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, and famous?’ Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that people won’t feel insecure around you. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It’s not just in some of us; it’s in all of us. And when we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.’
- Quotation from the film "Akeelah & the Bee" based in Marianne Williamson in Return to Love: Reflections on a Course in Miracles
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Decidi colocar esta citação depois de ter visto pela 2ª vez o filme: "Letra por letra". É um filme ternurento e acima de tudo inspirador...
Que esta seja a mensagem que nos guie em 2009 :)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Para Marta de Madrid, a autora desta ilustração que eu adoro!


Ilustração de Marta Chicote
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Um dia ao passear pela net descobri esta ilustração. Fiquei vidrada ao observá-la e guardei-a de imediato. Na altura não me recordo de ter visto o nome da autora e para ser sincera já nem sei bem onde a desencantei. Identifiquei-me de imediato com a menina: sentada na cama, de joelhos apertados contra o peito e de olhos grandes perdidos na lua e em pensamentos. Esta imagem passou a viver no fundo do meu computador, no fundo do meu telemóvel e no fundo do meu coração... Ao olhar esta ilustração inventei um conto e na realidade, senti-me de facto a menina que está sentada naquela cama com o olhar perdido naquela lua e naquela floresta.
Foi por isso, que quando pensei em tirar da gaveta o que escrevo para um blogue, esta imagem surgiu de imediato na minha cabeça como identidade do blogue. Só havia um "pequeno grande" problema... Eu não sabia quem tinha desenhado esta ilustração! Naveguei de novo na net para procurar, mas a única identificação que tinha da imagem era "lua"... Ainda pensei em usar outra ilustração, mas de facto, só esta é que fazia sentido...
E assim ficou a imagem e como autora coloquei: "Continuo à procura da autora!!!"
Mas se eu não encontrei a autora, a autora encontrou-me a mim :)
E fico feliz por isso. Porque posso dizer-lhe o quanto apreciei o seu trabalho, o quanto me inspirou para escrever e para sonhar, o quanto a sua ilustração me apaixonou.
Queria com esta postagem, agradecer à Marta Chicote, a autora desta ilustração. Pelo seu talento, pela sua criatividade e pela sua compreensão...
Por coincidência também me chamo Marta, e as minhas iniciais também são MC (Marta Carapuço :)).
Entretanto removi a ilustração a pedido da autora. E tem toda a lógica. Não quero de maneira nenhuma que haja confusão com a autoria da ilustração.
Por isso, esta postagem é em honra da Marta Chicote.
A seguir vem o texto que escrevi a olhar para a tua ilustração Marta de Madrid (Espanha).
Um grande beijinho da Marta de Sintra (Portugal).
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A minha cama é o tapete voador dos meus sonhos. Junto com força os joelhos ao peito e os meus cabelos voam, porque o meu pensamento viaja longe, para lá das árvores e do negrume do céu. O gato preto mia. Salta para o tapete comigo e espera boleia nestas viagens. Vejo a lua num céu de pontinhos brilhantes. Ela sorri-me sem rosto, só com lábios de luz. Eu olho a lua e ela revê-se no meu olhar… eu sou o outro lado do espelho onde vive a sua alma… calma e gentil com sussurros de vaivém. Houve um dia… que o céu ficou sem lua. Ela não voltou. Ficou presa cá dentro, embalada na água dos meus olhos. Pensou que tinha encontrado o mar… eu expliquei-lhe aflita, que não era aí o seu lar. Mas ela demorou-se a querer ouvir, não quis saber. Lá fora achavam que era Lua Nova e a escuridão da floresta ficava assim decifrada. Os dias passavam e a Lua era apenas um fantasma no céu… As marés não se conformavam. Primeiro desconfiadas a Lua Nova aceitaram, mas lá dentro da sua alma sentiam o engano. O tempo escorria e as ondas desorientaram-se, perderam o rumo… Procuraram inquietas a sua musa em todo o lado. Primeiro buscaram o sorriso de luz dentro das suas águas: indagaram os peixes, os corais e as estrelas-do-mar… Mas depois galgaram praias, penhascos, florestas e estradas. Fizeram-se à terra em busca de orientação. Os homens fugiam incrédulos das terríveis ondas … Os dedos de mar apertavam carros, esmagavam casas, colhiam vidas… deixando apenas um rasto de sal. Eu escondia os olhos com medo… indefesa mas responsável por tal destruição. Pedia ao sorriso de luz por tudo que se soltasse dos meus olhos… que pelo seu descuido outros sofriam. “Não foi descuido”, disse-me a Lua a medo, “Foi amor…” E o meu cabelo desprendia-se em asas que se queriam salvar dos braços de água e sal. Foi então que decidida abracei as ondas de sal e de mar. O sorriso de luz e a água dos meus olhos… iriam ao mar regressar.
Texto de Marta Carapuço
P.S. Espero que gostes do texto :) Bem sei que não falas português, mas se calhar o português escrito fica mais fácil de entender...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Esperando uma resposta...



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Ilustração de Carla Pott
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Porque estou à espera de uma resposta que nunca mais vem, coloquei esta ilustração. Porque sinto-me assim... a olhar o tempo, a sentir os segundos como picadas.
Depois, calhou olhar para a frase do dia. Li o seguinte:

"Aquilo que não puderes controlar, não ordenes"
Sócrates

Pois, o tempo não posso controlar, nem sequer a resposta que espero.
Deu-me vontade de rir, mas arrepiei-me... As coincidências têm tanto de fantástico como de fantasmagórico, não é?

domingo, 9 de novembro de 2008

Durmam descansados ratinhos...




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Ilustração de MEHRDOKHT AMINI
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Porque durante muito tempo os ratinhos fizeram parte da minha vida... Agora já não fazem. Durmam descansados ratinhos!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Halloween


Ilustração de David Wenzel

Noite de Halloween


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Ilustração de Nicoletta Ceccoli
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Ela surgiu numa noite como esta, em que os mundos do visível e do invisível se tocam e entrelaçam os dedos como por magia…
Eu estava quieta esperando qualquer coisa… mas só a tristeza se movia.
Ela, feita de vazios e enganos, era uma pintura de cores cruéis.
Eu sentia o perfume que a envolvia. A sua fragrância espalhava-se pelos montes, inebriava os ventos.
Nisto, um penhasco desenhou-se a seus pés. Um mar surgiu grande e revolto… Um vento foi chamado do nada, e rodopiava-a, chamava-a para o abismo.
Ela atirou com o manto que a cobria. Lançou para trás o seu cabelo revolto, e com um olhar acalmou o vento.
Como pôde ela com um olhar acalmar o vento?
Ela desenhava gestos pedindo ao vento que a deixasse voar no seu seio… mas estes gestos surgiam pesados e ocos. O silêncio tornava-se desagradável. O tecido branco que a moldava adormecia em afagos no seu corpo.
Vi então que se virou de costas para o penhasco, tão lenta quanto o seu desejo o permitia. Chegou-se ao abismo e simplesmente deitou-se no vazio… esperando uns braços mudos que a agarrassem.
Ela caía pesadamente como rocha que se desprende. E sei que mesmo ao sentir o mar, ela esperava uns braços mudos que a levassem.
A sua presença foi ignorada pelos ventos… Tudo o que surgia era puro acaso, pura coincidência de imagens.
Dela ficou o perfume e mesmo esse voou para longe.
Nada morreu com ela…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Hoje, sem querer, colou-se aos meus dedos uma foto tua.
Deu-me saudades de ti.
Da tua presença, da tua voz, dos teus olhos, da tua pele, dos teus cabelos ruivos.
Estás como estavas sempre. Serena, misteriosa, profunda e terrivelmente bonita.
Do lado de lá, olhas-me nos olhos sem o saberes… Com o verde de mil esmeraldas encerradas numa arca de tesouros.
Tranquilamente descansa nos teus braços a tua alma de gato… gentia, escura, traidora mas impossível de lhe resistir.
Fico a olhar-te de fora e invoco a tua presença.
Mergulho nos teus cabelos ruivos… Com os meus dedos transformo esses fios de fogo numa manta de retalhos que cobre o meu corpo, que invade o meu pensamento.
Esses fios de fogo queimam a minha pele e ferem, marcando a tua presença em mim, de uma forma inesquecível, impossível de calar o eco.
Esfrego o meu rosto no teu vermelho e na tua pele que cheira a talco, a mel, a afagos.
Que saudades… de te abraçar e gentilmente conservar a tua luz no meu peito. Que saudades de te sentir cá dentro a pulsar com muita força, como coração que batesse.
E o teu sangue, vermelho como o cabelo, preenche o azul das minhas veias e torna-as uma vez mais de fogo também.

domingo, 5 de outubro de 2008

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Ilustração de Lina Chesak
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Amanheceu.
Mais uma 2ª feira prometendo outra semana na escola. Se por um lado as salas de aula eram um refúgio, o dedo inevitável espetado no ar... era o pesadelo que se adivinhava no recreio.
Por isso aquela 2ª feira não ía ser como as outras, somente o aceno para os de casa e a mochila pesada às costas o seriam.
Tinha de fugir. Ía bem preparado para enfrentar entempéries, fome, frio e solidão.
Os livros sempre lhe tinham ensinado tudo, nunca faltando com respostas. Contudo nunca lhe haviam ensinado a suportar o frio na alma que lhe trazia estar com os outros...

sábado, 4 de outubro de 2008


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Ilustração de Gosia Mosz
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A mão dói quando escreve por falta de prática. Os calos ficam na ponta dos dedos, dos 10 dedos das duas mãos.
Já lá vai o tempo do lápis e do papel, do risco e do rabisco... da apagadela. Agora é o "clique" que importa, o "enter" e o "delete". Saber português é o menos porque o "Microsoft Word" corrige e até dá sugestões.
E a caneta também já era... Não apaga, não muda a letra, não muda a cor, não desenha, não interage, não corrige, não opina... e faz doer a mão!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Dás-me? Ou emprestas-me apenas esse olhar?
Eu sinto-o dado mas depois quando o desvias é roubado… de mim, porque já era meu. Pelo menos porque em mim morreu e aqui dentro a sua alma desmaiou.
O teu olhar é de gotas de água que desidrata quando o bebo. Porque é minha a água em que os teus olhos chovem. É minha a alma em que os teus olhos se pintam de azul.