quinta-feira, 14 de maio de 2009

Testes de alunos do 1º Ciclo


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Ilustração de Tara Larsen Chang
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O que se segue foi retirado de um e-mail que um amigo me mandou. Decidi partilhar porque quando li ri tanto, tanto, que acho que já não preciso de fazer abdominais hoje. Os comentários entre parentesis não foram feitos por mim.

- O Papa vive no Vácuo (!?)

- Antigamente na França os criminosos eram executados com a Gelatina (pelomenos assim não doía tanto)

- Em Portugal os homens e as Mulheres podem casar. A isto chama-se monotonia. (é frustrante que até na 2ª Classe já pensem assim...)

- (A MELHOR) Em nossa casa cada um tem o seu quarto. Só o papá é que tem de dormir sempre com a mamã. (Um destino terrível...)

- Os homens não podem casar com homens porque então ninguém podia usar o vestido de noiva. (a ver vamos)

- Os meus pais só compram papel higiénico cinzento, porque já foi utilizado e é bom para o ambiente. (Que bom!)

- Adoptar uma criança é melhor! Assim os pais podem escolher os filhos e não têm de ficar com os que lhe saem. (Pois é, com os animais de estimação também funciona assim!)

- Adão e Eva viviam em Paris. (Sim, sim lá também é Paradisíaco)

- O hemisfério Norte gira no sentido contrário do hemisfério Sul. (Viver ao longo do Equador deve ser muito divertido)

- As vacas não podem correr para não verterem o leite. (Que bom saber isso)

- Um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima. (Nunca tinha pensado nisto!)

- Os douradinhos já estão mortos há muito tempo. Já não conseguem nadar! (Conseguem sim! No óleo da frigideira)

- Eu não sou baptizado, mas estou vacinado. (Esta tenho que ensinar aos meusfilhos!)

- Depois do homem deixar de ser macaco passou a ser Egípcio. (Mmm... isto ainda não sabia!)

- A Primavera é a primeira estação do ano. É na primavera que as galinhas põem os ovos e os agricultores põem as batatas. (Nunca mais como batatas)

- O meu tio levou o porco para a casota e lá foi morto juntamente com o meu avô. (Bem, se o avô já lá estava...)

- Quando o nosso cão ladrou de noite a minha mãe foi lá fora amamentá-lo. Senão os vizinhos ficavam chateados. (E assim como terão ficado?)

- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-los porcima da cabeça e com as pernas é a mesma coisa. (Acho que a mim aconteceriao mesmo às pernas)

- Um círculo é um quadrado redondo. (Esta é absolutamente fantástica!)

- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa de mais um dia e é sempre em Fevereiro. Não sei porquê. Talvez por estar muito frio.(Um génio!)

- A minha irmã está muito doente. Todos os dias toma uma pílula, mas às escondidas para os meus pais não ficarem preocupados. (Sem comentários)

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Enfim... as crianças são deliciosas!

Farewell Firmin...


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Imagem do livro "Firmin"
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Pois é Maria Emília, acabei de ler o Firmin. Não perdi um amigo, ganhei mais memórias para viverem comigo. Curiosamente, este livro fala sobre isto... sobre a riqueza que é ler. Porque sem querermos ou por querermos, as memórias que ganhámos dos livros podem ajudar-nos a reinventar a nossa vida. Mas isto a Maria Emília sabe melhor que ninguém. Obrigada por me espicaçar a sair do torpor do dia a dia e vir aqui deixar uma palavrinha... Muitas saudades e tenho aqui o "Firmin" guardado para lhe emprestar :)

sábado, 9 de maio de 2009

"Firmin" de Sam Savage


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"Ao fime ao cabo, ver-me pela primeira vez não era o mesmo que olhar para uma velha ratazana. Era uma experiência mais pessoal e também mais dolorosa. (...) Apercebi-me, claro, de que a intensidade dessa dor era directamente proporcional à dimensão da minha vaidade, mas esse pensamente ainda agravou mais as coisas. Além de feio, vaidoso - o que acrescentava «ridículo» à colecção de adjectivos: baixo, forte, peludo e sem queixo. Firmin: o peludo. Ridículo."


Este livro é a minha nova viagem paralela no combóio... "Firmin".
Tenho de admitir que o facto de ter um rato ( na realidade uma ratazana) a ler um livro na capa, fez com que o comprasse imediatamente. Ratos e livros, por incrível que pareça, têm uma presença e importância fortíssimas na minha vida... :)
O livro é engraçado, doce, irónico, duro e ternurento e especialmente muito original. Só por isso vale muito a pena!

terça-feira, 28 de abril de 2009



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Ilustração de Helena Simas
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Perdi um amigo.
Que ali estava sempre a meu lado, com as suas páginas repletas de letras para serem lidas. Um amigo de folhas novinhas que queriam ser mexidas, dedilhadas... E foram! Durante dias a fio percorri as letras, as palavras, as páginas, as folhas, que queriam ser lidas de uma ponta à outra. E as palavras íam enchendo a alma de personagens, dando-lhes um corpo, uma voz, um sentir, um querer ser. Íam aos poucos ganhando vida, afecto, amor... Até 3 dimensões! Foram crescendo e enchendo o meu quarto de risos, aventuras, lágrimas. E agora que já tenho o quarto cheio de gente com alma, ao virar a última página das suas vidas... O que é que lhes acontece?
E de cada vez que leio um bom livro, o sentimento repete-se. Quase que receio fazer mais amigos, pois tenho a certeza que no fim os perco...

domingo, 26 de abril de 2009

Lagrimas negras, Bebo Valdez y Diego El Cigala.



Porque tenho o privilégio de ter amigos que me enriquecem a alma não só de carinho, força e cumplicidade mas também de boa música.
Obrigada querida Susana... por tudo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

1º voo do modelo à escala Pilatus PC9



No passado Domingo de ventania, o Miguel encheu-se de coragem e voadores experientes para lançar o seu projecto mais querido... O modelo à escala 1/5 Pilatus PC9!


Contra todas as expectativas (ehehehehe), o aviãozinho voou, perdeu-se nas nuvens e aterrou são e salvo!!! Tenho que admitir que foi emocionante...


Agora, resta fazer um trem de aterragem mais resistente, treinar o dono do Pilatus a voar, para que o avião levante de novo o seu rabo pesado. :))))


terça-feira, 7 de abril de 2009

Aeromodelismo - Pilatus PC9


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Depois de prateleiras para os vasos e de um T0 para os nossos canitos, o Miguel meteu mãos à obra e foi terminar um projecto de aeromodelismo que tinha iniciado nos tempos da faculdade.
Durante 2 meses e meio a nossa casa ficou convertida em estaleiro aeronáutico... Deu direito a tudo: lixar madeira, brocar, fazer fibra de vidro, pintar com sprays, colocar autocolantes, tirar autocolantes, dizer palavrões, colar com cola de contacto, descolar, fazer buracos, dar-me cabo da paciência, entalar dedos, fazer experiências, dizer palavrões, gastar dinheiro, comprar motor, gastar dinheiro, comprar rádio, gastar dinheiro, comprar mala das ferramentas, deixar a casa a cheirar a resina mesmo antes de dormir... enfim, estou feliz que o projecto esteja terminado e que a nossa união de facto tenha resistido a este martírio!
Mas não podia deixar de homenagear este projecto e a paciência e a mestria que o Miguel teve em levá-lo a cabo. Afinal de contas, todo o projecto foi desenhado por ele, tirado apenas de uma fotografia a preto e branco do avião Pilatus PC9 em tamanho real. O modelo construído tem a escala de 1/5.
Neste momento, está pendurado no tecto da nossa casa. Parece-me que o dono da obra-prima anda a ganhar coragem para o voar. É que a graça de tudo isto é que o Miguel não sabe voar :)

Factura histórica


Não resisti em deixar-vos aqui uma boa gargalhada! Divirtam-se :)

sábado, 28 de março de 2009

"Efémera" de Rita Fouto




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Fui assistir a esta peça de teatro no dia 27 de Março, no Dia Mundial do Teatro: Efémera.
Quando li a ficha técnica fiquei à espera de um conto eventuamente banal... Mas a história é contada de uma forma tão singular e com um ritmo tão próprio que por si ganha vida e força.
Os actores são criativos, expressivos e de tal maneira envolventes que damos por nós a reviver momentos em que também vivemos despertares individuais e que são tão intensos e importantes para o crescimento pessoal...
E a música que acompanha a peça é tão bonita... Toda a equipa está de parabéns!!!
Aconselho vivamente!
Espreitem aqui: http://animaseapresenta.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de março de 2009

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Ilustração de Susanne Jansen
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Desenhos a carvão em fundo negro – para quê?
A magia não é ver, é sentir e saber.
Fechar os olhos, encontrar o clarão aqui dentro
e ser ofuscada com brancos tempestuosos de razão.
Sentir... percorrer o vazio, com a língua a sentir o frio.

domingo, 8 de março de 2009

Simon and Garfunkel Scarborough Fair



"Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary & thyme
Remember me to one who lives there
She once was a true love of mine
Tell her to make me a cambric shirt
(On the side of a hill in the deep forest green)
Parsely, sage, rosemary & thyme
(Tracing a sparrow on snow-crested ground)
Without no seams nor needlework
(Blankets and bedclothes a child of the mountains)
Then she'll be a true love of mine
(Sleeps unaware of the clarion call)
Tell her to find me an acre of land
(On the side of a hill, a sprinkling of leaves)
Parsely, sage, rosemary, & thyme
(Washed is the ground with so many tears)
Between the salt water and the sea strand
(A soldier cleans and polishes a gun)
Then she'll be a true love of mine
Tell her to reap it in a sickle of leather
(War bellows, blazing in scarlet battalions)
Parsely, sage, rosemary & thyme
(Generals order their soldiers to kill)
And to gather it all in a bunch of heather
(And to fight for a cause they've long ago forgotten)
Then she'll be a true love of mine
Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary & thyme
Remember me to one who lives there
She once was a true love of mine."

sábado, 7 de março de 2009

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Ilustração de MEHRDOKHT AMINI
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Entrego-me,
deito-me no céu vazio, azul, intenso,
aguado de mar e sal e lágrimas e areia que dói quando se esfregam os olhos...
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Deito-me no vazio do céu, rasgando as nuvens, o vento,
as correntes quentes e frias que me lambem o corpo e agarram,
dilacerando e reabrindo golpes antigos.
Que já conheço, que já sei como doem, que arrisco de novo em senti-los...
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Desço numa estonteante viagem, que me acelera o coração e oprime-o com medo, tanto medo...
de não sentir as minhas asas a abrirem... de me aperceber em vão que porventura não as tenho.
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E vou querer que me agarres com dedos firmes e mãos fortes,
que vão saber a rochas que não se gastam com o vento.
Rochas de aço e não de areia...
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Nunca mais quero que me saibas a areia.
Essa escorrega-me pelos dedos e nunca a consigo agarrar...
ilusão de a prender, abrir as mãos e sentir o vazio, que me escorre,
como o azul que me emprestas do teu olhar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


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Ilustração de Nicoletta Ceccoli
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Vou cobrir-te de beijos ternos, doces… como pequenos afagos de vento.
Vou olhar-te com cuidado, demorar a minha vontade em ti, demorar o meu desejo em mim.
Vou enlear-te de seda colorida, fria, que te arrepia quando roça a tua pele.
Vou desenhar-te cores nos lábios, nos olhos, no teu corpo dourado de areia.
Vou descansar o meu corpo no teu… largar este peso como lastro sobre os teus ombros, o teu peito, a tua barriga, as tuas pernas.
Vou abraçar-te com força para que o meu existir derreta na tua pele
E que juntas passem a ser uma só.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009





Klimt, Golden fish
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Olho-te a medo. Com medo de ti, com medo de mim.
Desejo-te a medo, quando fica escuro em mim.
Passo então os meus dedos no vermelho dos teus cabelos, no carmim dos teus lábios,
nas sardas que salpicam o teu rosto.
Afundo os meus olhos nos teus e peço-te por favor que não digas nada…
Porque as palavras rebentam a bola de sabão onde tu e eu moramos.
Ficamos então assim… como alma e reflexo uma da outra.
Passando os dedos em ti como se me procurasse a mim.

domingo, 22 de fevereiro de 2009


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Cabes todo na minha mão… o teu riso, o teu azul, as tuas sardas.
Fecho a minha mão com força e encosto-a ao meu peito. Que está quente, que pulsa ao sentir-te, que se arrepia ao pressentir-te. E fecho os olhos com força porque a dor se confunde com o prazer. E não aguento, toda essa força, toda essa urgência de sentir.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire de Danny Boyle

Era minha intenção ter ido ver ontem a Coraline. Quando lá cheguei fiquei tristíssima porque só tinham a versão portuguesa...
Acabámos por ver Slumdog Millionaire... Aconselho vivamente!!!! O argumento é fantástico, o retrato social é precioso, e toda a banda sonora é realmente incrível. Um filme forte, profundo, bonito e apesar de tudo tão simples... Já ganhou 4 globos de ouro (Melhor realizador, Melhor fotografia, Melhor banda sonora e Melhor argumento), vamos ver quantos óscares vai ganhar :)




Aqui estão mais algumas fotografias do filme. A música Jai Ho é fantástica! Vejam o filme, vale muito, muito a pena!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Coraline de Henry Selick



"Have you ever wished for a different life?
Be careful what you wish for..."

Tenho visto a publicidade a este filme nos cartazes espalhados por aí, e estou enfeitiçada... Tenho de ver este filme!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Livraria Lello e Irmão - Porto, Portugal



Fotografias de J.Lorea

Numa livraria normal, já me consigo perder horas sem fim. Nem quero imaginar quando um dia visitar este livraria perdida no espaço e no tempo. Fica no Porto e é motivo de orgulho...
Aqui fica um cheirinho do que deve ser esta pequena maravilha!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Era uma vez Sintra...

Pode encontrar estas fotos aqui no TrekEarth



Escrevi o conto que se segue, quando tinha 15 anos. Nessa altura, comecei a estudar na Portela de Sintra. Nunca tinha convivido tão de perto com a Serra de Sintra, com o Castelo dos Mouros, com o Palácio da Pena, com a Vila... e sinceramente acreditei (e acredito) que Sintra é de facto um local mágico.

Com 15 anos, esta história foi a minha maneira de honrar Sintra, de lhe dizer como ela me fascinava e me encantava. Mas no Inverno, Sintra tem tanto de mágico e nostálgico como de mórbido...

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- Conta-me um conto - disseram-me - Conta-me um conto que fale de estrelas, céus, florestas…
- Um conto? – perguntei – Queres ouvir um conto que fale de magias, queres ouvir poesias que falem de amor?
- Sim. Quero um conto perdido no espaço e no tempo, quero ouvir falar de reis, rainhas, deusas… Quero um conto de outrora sonhado por ti.
- Era uma vez Sintra, - comecei então eu – terra sagrada dos deuses…
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Lá vivia Morgane, filha dos céus e das estrelas, lá de onde se erguia um castelo rude e simples, mas altivo e sobranceiro dos Mouros chamado.
Morgane nasceu na floresta, numa noite de tempestade. Nasceu da magia que os deuses evocaram para proteger Sintra. Foi abençoada e a sua vida destinava-se a um momento...
Na sua última noite, Morgane vestiu-se de branco, dançou no escuro, ergueu-se em preces, falou aos ventos, clamou poesias. A floresta, onde sempre sonhara acabar os seus dias, agitava-se em seu nome, explodia em tempestades.
Algures perdido nessa noite, um príncipe vagueava empurrado pelo vento e pela chuva, sem querer, sem saber para onde os passos o levavam. Seguia sem rumo até ouvir tais melodias e desconcertos. Seguindo o som acabou por encontrá-la. Demorou o olhar em Morgane, ficou deslumbrado com o momento.
Morgane movia-se num bailado magoado de gestos vincados e lentos. Insinuava-se como uma imagem deturpada… Dançava ao vento, à noite, à magia confusa do momento. Mostrava-se ao mundo e reclamava por um toque, um afago. E sorria confundindo a sua beleza no escuro que a esquecia.
Ele não sabia o que seguia, não conhecia o que adorava. Aproximou-se da mulher de branco que na floresta dançava… aproximou-se sem medo perdido no espanto, tocou-lhe ao de leve no seu corpo e pediu-lhe:
- Senhora de Branco, leva-me contigo nessas magias, ensina-me a sonhar que me sinto perdido.
Ela sorriu a medo e soprou-lhe para dentro do seu olhar, palavras de tudo e de sonho. Embalou-o na sua melodia e dançaram ao vento e à noite escura.
Os deuses ergueram-se numa só voz. Lançaram chuva e raios, pintaram os céus com brilhos, apagaram as brumas, abençoaram o momento.
Morgane e o seu príncipe esqueciam tudo e todos e amavam-se num momento secreto e sagrado. O sonho era tudo, a vida nada ou quase nada…
Quando o príncipe acordou nessa manhã, viu com surpresa que estava só. Relembrou a sua noite sem perceber se a vivera de facto ou se ficara perdido numa ilusão.
Nesse dia foi proclamado rei; dizia o povo que tinha sido escolhido pelos deuses. E contavam-se histórias no reino de que uma deusa surgira em Sintra no meio da tempestade e vestida de branco nas suas florestas dançara, clamando ao povo que já tinham rei. O povo chamava ao seu novo rei, príncipe da Pena, nome que a deusa cantara nas suas melodias.
Ao príncipe não lhe interessava um reino, nem sequer o seu palácio prometido. Não encontrava forças em si que encaminhassem um povo e não conhecia aquela história como o povo a contava. Só ansiava pela noite, por uma nova visão da sua mulher de branco.
Seis noites o príncipe vagueou sem rumo pela floresta, seis noites esperou pela mulher de branco, mas tudo permanecia vazio e intacto. Na sétima noite os céus estouraram em lamúrias e uma tempestade rompeu o silêncio. E o príncipe da Pena ouviu de novo aqueles cantares. Percorreu os jardins do Palácio, enfrentou a floresta dos Mouros e encontrou-a rezando na muralha mais alta do Castelo.
Ele apaixonado pediu-lhe tudo, Morgane insana deu-lhe a sua magia. O príncipe sem saber o que pedira, num golpe doce rasgou-lhe a vida... Preencheu-a na complacência de um grito e agitou-a em preces e murmurou-lhe delírios, ditou-lhe loucuras num beijo esquecido. Tarde na noite, o príncipe levou-a, a noite cantava melancolia, carregou-a nos seus braços enquanto chorava e tremia.
E os céus gritaram-lhe mil trovões, mostraram-lhe mil luzes, mas o apaixonado corria e ela nos seus braços desfalecia. Ele falou-lhe em preces e ainda que morresse, dava-lhe beijos e implorava-lhe que vivesse. Ela desmaiada em sonhos, perdida da vida, agitava-se em pesadelos… Morgane morria.
O apaixonado chorava, em lamúrias tristes e inconsoláveis. Ela deitada nos seus braços, era embalada numa melancolia terna, num afago meigo. Por entre soluços ele soprava-lhe palavras bonitas, acariciava-a e contemplava-a. Prometia-lhe céus, falava-lhe loucuras, implorava-lhe perdão… pedia-lhe apenas que ficasse.
- Peço-te que vivas – murmurava ele – quero que saibas que te amo… que vou proteger a tua serra todos os dias da minha vida.
E abraçou-a, num abraço carregado de estrelas, infinito e pena, muita pena... E Morgane, desfalecida nos seus braços, delirava poesias, falava de sonhos. Já se sentia longe, já vivia para lá do sol, era Deusa e Senhora de Sintra. Mas ouvia o seu príncipe que lhe dedicava preces de amor e magia…
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- Morgane morreu? – perguntou alguém num espanto.
- Sim. Todas as noites passeia de branco nas muralhas do Castelo, nos jardins encantados do Palácio, no alto da Serra, nas florestas sagradas de Sintra.
- E o príncipe da Pena?...
- Reinou um século, protegeu Sintra. Foi ao encontro de Morgane no castelo, todas as noites de tempestade.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Prémio Dardos


Este blogue, o "Tapete Voador", ganhou um prémio, o Prémio Dardos, o qual me deixou muito orgulhosa.
“Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.”

Quem atribuiu este prémio ao Tapete Voador foi a Célia Jordão Alves, autora do blogue Caixa dos Pirolitos, do qual sou fã nº1! Obrigada Célia por todas as visitas que me fazes e pelos mimos que vais deixando.

Esta acaba por ser uma boa oportunidade para divulgar alguns dos blogues que eu visito, revisito e volto a visitar porque simplesmente me fascinam por um motivo ou por outro. Só fico com pena que a escolha seja de 15 apenas...

Então, quem for agraciado com este prémio, deverá se assim o aceitar, fazer o seguinte:
"O premiado deve, por favor, seguir estas instruções:
1)Deve exibir a imagem em seu blog;
2)Deve apresentar o blog pelo qual recebeu a indicação;
3)Escolher outros 15 blogs a quem entregar o Prémio Dardos,
4)Avisar os escolhidos"


Estas são as minhas escolhas, mas volto a dizer que 15 são poucos, porque a quantidade de blogues que admiro é muito maior:

Alfinete de Dama
Tal qual sou
The pink inuit
Roger Olmos
Décousu
Cores em tons de Cinza
Caixa de Papelão
Conspirações Artísticas
Helena Simas ilustra
O Morcego saíu à rua
Bem estar
eendar
Papéis por todo o lado
Pozinhos de Perlimpimpim
Rafeiro Perfumado

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Ilustração de Mehrdokht Amini
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Agarrou-me com uns braços mudos, fortes. E ficamos ali, sob um céu de estrelas e riscos. Os seus dedos sujos dedilhavam o meu rosto, libertando cores e vazio. Deitou-me no seu colo e contou-me segredos que agora me castram.
E aquele abraço sabia a vento… encorpado mas vazio. Cheio de enganos. Daquele abraço eu fugi… talvez para não me enfrentar.
Durmo agora sonos soltos e carrego um fardo que só é leve quando tu estás.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Elis Regina, Romaria



O meu irmão mais velho preencheu a minha infância de memórias, como todos os irmãos mais velhos... Conheço esta canção desde essa altura: quando ele a cantava e quando ele me a ensinou. Obrigada :)

No YouTube aparecem outros vídeos em que a voz dela está mais nítida e bonita, mas só neste a encontrei a cantar. E ela canta com tanto sentimento que isso não podia passar despercebido.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tim Burton, The Corpse Bride


Corpse Bride, Piano Duet


Corpse Bride, The final scene


Um bocadinho de um filme que eu achei simplesmente delicioso. Imagens fantásticas, fantasmagóricas e ternurentas. Adoro as cores contrastantes e eléctricas das ilustrações. Quem me dera desenhar assim :)