quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Livraria Lello e Irmão - Porto, Portugal
Fotografias de J.Lorea
Numa livraria normal, já me consigo perder horas sem fim. Nem quero imaginar quando um dia visitar este livraria perdida no espaço e no tempo. Fica no Porto e é motivo de orgulho...
Aqui fica um cheirinho do que deve ser esta pequena maravilha!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Era uma vez Sintra...
Pode encontrar estas fotos aqui no TrekEarth
Escrevi o conto que se segue, quando tinha 15 anos. Nessa altura, comecei a estudar na Portela de Sintra. Nunca tinha convivido tão de perto com a Serra de Sintra, com o Castelo dos Mouros, com o Palácio da Pena, com a Vila... e sinceramente acreditei (e acredito) que Sintra é de facto um local mágico.
Com 15 anos, esta história foi a minha maneira de honrar Sintra, de lhe dizer como ela me fascinava e me encantava. Mas no Inverno, Sintra tem tanto de mágico e nostálgico como de mórbido...
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- Conta-me um conto - disseram-me - Conta-me um conto que fale de estrelas, céus, florestas…
- Um conto? – perguntei – Queres ouvir um conto que fale de magias, queres ouvir poesias que falem de amor?
- Sim. Quero um conto perdido no espaço e no tempo, quero ouvir falar de reis, rainhas, deusas… Quero um conto de outrora sonhado por ti.
- Era uma vez Sintra, - comecei então eu – terra sagrada dos deuses…
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Lá vivia Morgane, filha dos céus e das estrelas, lá de onde se erguia um castelo rude e simples, mas altivo e sobranceiro dos Mouros chamado.
Morgane nasceu na floresta, numa noite de tempestade. Nasceu da magia que os deuses evocaram para proteger Sintra. Foi abençoada e a sua vida destinava-se a um momento...
Na sua última noite, Morgane vestiu-se de branco, dançou no escuro, ergueu-se em preces, falou aos ventos, clamou poesias. A floresta, onde sempre sonhara acabar os seus dias, agitava-se em seu nome, explodia em tempestades.
Algures perdido nessa noite, um príncipe vagueava empurrado pelo vento e pela chuva, sem querer, sem saber para onde os passos o levavam. Seguia sem rumo até ouvir tais melodias e desconcertos. Seguindo o som acabou por encontrá-la. Demorou o olhar em Morgane, ficou deslumbrado com o momento.
Morgane movia-se num bailado magoado de gestos vincados e lentos. Insinuava-se como uma imagem deturpada… Dançava ao vento, à noite, à magia confusa do momento. Mostrava-se ao mundo e reclamava por um toque, um afago. E sorria confundindo a sua beleza no escuro que a esquecia.
Ele não sabia o que seguia, não conhecia o que adorava. Aproximou-se da mulher de branco que na floresta dançava… aproximou-se sem medo perdido no espanto, tocou-lhe ao de leve no seu corpo e pediu-lhe:
- Senhora de Branco, leva-me contigo nessas magias, ensina-me a sonhar que me sinto perdido.
Ela sorriu a medo e soprou-lhe para dentro do seu olhar, palavras de tudo e de sonho. Embalou-o na sua melodia e dançaram ao vento e à noite escura.
Os deuses ergueram-se numa só voz. Lançaram chuva e raios, pintaram os céus com brilhos, apagaram as brumas, abençoaram o momento.
Morgane e o seu príncipe esqueciam tudo e todos e amavam-se num momento secreto e sagrado. O sonho era tudo, a vida nada ou quase nada…
Quando o príncipe acordou nessa manhã, viu com surpresa que estava só. Relembrou a sua noite sem perceber se a vivera de facto ou se ficara perdido numa ilusão.
Nesse dia foi proclamado rei; dizia o povo que tinha sido escolhido pelos deuses. E contavam-se histórias no reino de que uma deusa surgira em Sintra no meio da tempestade e vestida de branco nas suas florestas dançara, clamando ao povo que já tinham rei. O povo chamava ao seu novo rei, príncipe da Pena, nome que a deusa cantara nas suas melodias.
Ao príncipe não lhe interessava um reino, nem sequer o seu palácio prometido. Não encontrava forças em si que encaminhassem um povo e não conhecia aquela história como o povo a contava. Só ansiava pela noite, por uma nova visão da sua mulher de branco.
Seis noites o príncipe vagueou sem rumo pela floresta, seis noites esperou pela mulher de branco, mas tudo permanecia vazio e intacto. Na sétima noite os céus estouraram em lamúrias e uma tempestade rompeu o silêncio. E o príncipe da Pena ouviu de novo aqueles cantares. Percorreu os jardins do Palácio, enfrentou a floresta dos Mouros e encontrou-a rezando na muralha mais alta do Castelo.
Ele apaixonado pediu-lhe tudo, Morgane insana deu-lhe a sua magia. O príncipe sem saber o que pedira, num golpe doce rasgou-lhe a vida... Preencheu-a na complacência de um grito e agitou-a em preces e murmurou-lhe delírios, ditou-lhe loucuras num beijo esquecido. Tarde na noite, o príncipe levou-a, a noite cantava melancolia, carregou-a nos seus braços enquanto chorava e tremia.
E os céus gritaram-lhe mil trovões, mostraram-lhe mil luzes, mas o apaixonado corria e ela nos seus braços desfalecia. Ele falou-lhe em preces e ainda que morresse, dava-lhe beijos e implorava-lhe que vivesse. Ela desmaiada em sonhos, perdida da vida, agitava-se em pesadelos… Morgane morria.
O apaixonado chorava, em lamúrias tristes e inconsoláveis. Ela deitada nos seus braços, era embalada numa melancolia terna, num afago meigo. Por entre soluços ele soprava-lhe palavras bonitas, acariciava-a e contemplava-a. Prometia-lhe céus, falava-lhe loucuras, implorava-lhe perdão… pedia-lhe apenas que ficasse.
- Peço-te que vivas – murmurava ele – quero que saibas que te amo… que vou proteger a tua serra todos os dias da minha vida.
E abraçou-a, num abraço carregado de estrelas, infinito e pena, muita pena... E Morgane, desfalecida nos seus braços, delirava poesias, falava de sonhos. Já se sentia longe, já vivia para lá do sol, era Deusa e Senhora de Sintra. Mas ouvia o seu príncipe que lhe dedicava preces de amor e magia…
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- Morgane morreu? – perguntou alguém num espanto.
- Sim. Todas as noites passeia de branco nas muralhas do Castelo, nos jardins encantados do Palácio, no alto da Serra, nas florestas sagradas de Sintra.
- E o príncipe da Pena?...
- Reinou um século, protegeu Sintra. Foi ao encontro de Morgane no castelo, todas as noites de tempestade.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Prémio Dardos

Este blogue, o "Tapete Voador", ganhou um prémio, o Prémio Dardos, o qual me deixou muito orgulhosa.
“Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogger, emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.”
Quem atribuiu este prémio ao Tapete Voador foi a Célia Jordão Alves, autora do blogue Caixa dos Pirolitos, do qual sou fã nº1! Obrigada Célia por todas as visitas que me fazes e pelos mimos que vais deixando.
Esta acaba por ser uma boa oportunidade para divulgar alguns dos blogues que eu visito, revisito e volto a visitar porque simplesmente me fascinam por um motivo ou por outro. Só fico com pena que a escolha seja de 15 apenas...
Então, quem for agraciado com este prémio, deverá se assim o aceitar, fazer o seguinte:
"O premiado deve, por favor, seguir estas instruções:
1)Deve exibir a imagem em seu blog;
2)Deve apresentar o blog pelo qual recebeu a indicação;
3)Escolher outros 15 blogs a quem entregar o Prémio Dardos,
4)Avisar os escolhidos"
Estas são as minhas escolhas, mas volto a dizer que 15 são poucos, porque a quantidade de blogues que admiro é muito maior:
Alfinete de Dama
Tal qual sou
The pink inuit
Roger Olmos
Décousu
Cores em tons de Cinza
Caixa de Papelão
Conspirações Artísticas
Helena Simas ilustra
O Morcego saíu à rua
Bem estar
eendar
Papéis por todo o lado
Pozinhos de Perlimpimpim
Rafeiro Perfumado
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ilustração de Mehrdokht Amini
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Agarrou-me com uns braços mudos, fortes. E ficamos ali, sob um céu de estrelas e riscos. Os seus dedos sujos dedilhavam o meu rosto, libertando cores e vazio. Deitou-me no seu colo e contou-me segredos que agora me castram.
E aquele abraço sabia a vento… encorpado mas vazio. Cheio de enganos. Daquele abraço eu fugi… talvez para não me enfrentar.
Durmo agora sonos soltos e carrego um fardo que só é leve quando tu estás.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Elis Regina, Romaria
O meu irmão mais velho preencheu a minha infância de memórias, como todos os irmãos mais velhos... Conheço esta canção desde essa altura: quando ele a cantava e quando ele me a ensinou. Obrigada :)
No YouTube aparecem outros vídeos em que a voz dela está mais nítida e bonita, mas só neste a encontrei a cantar. E ela canta com tanto sentimento que isso não podia passar despercebido.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Tim Burton, The Corpse Bride
Corpse Bride, Piano Duet
Corpse Bride, The final scene
Um bocadinho de um filme que eu achei simplesmente delicioso. Imagens fantásticas, fantasmagóricas e ternurentas. Adoro as cores contrastantes e eléctricas das ilustrações. Quem me dera desenhar assim :)
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Palavras de sorte

Iustração de CLAUDIA EMANUELA COPPOLA
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Vou soprar para dentro da minha mão palavras de sorte…
Soprá-las com cuidado para que não se estilhacem nas muralhas dos meus dedos.
Depois vou fechar os olhos e sorrir com certezas.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Saudade, saudade...
Adoro esta senhora! A voz forte e doce que embala os sentidos e entorpece a alma...
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Puma e a Salsa já são os melhores amigos!!
Conseguimos!!! O Puma e a Salsa já são os melhores amigos! Foi trabalhoso, mas valeu mesmo a pena. A aproximação foi lenta e de início o Puma tinha sempre o açaime e a trela. Ele ficava muito tenso e tentava morder-lhe, mas aos poucos foi descontraíndo e começou a habituar-se à presença dela. Houve um dia em que nos enchemos de coragem: tirámos-lhe o açaime e entretanto tirámos-lhe também a trela...
Este filme foi feito no primeiro dia em que tirámos a trela e o açaime ao Puma. O filme é muito longo, mas aqui estão apenas alguns segundos. Terminou com um espalho muito espalhafatoso da Salsa de cima do sofá por obra e graça do Puma. Achamos que apesar de tudo o saldo foi positivo! :)
Agora continuam os 2 vivos e muito felizes! Brincam imenso e por vezes são mesmo brutos. Abocanham-se, guincham, dão saltos e beijinhos...
O Puma arranjou uma melhor amiga e daqui a uns tempos há-de transformar-se na sua namorada :)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Mudar de vida...

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Ilustração de Diego Fermin.
Já não é a 1ª, nem 2ª, nem sequer 3ª vez que dou por mim a mudar de vida... E faço as malas. Umas vezes encho-as de roupa, livros e fotografias. Outras vezes coloco lá dentro simplesmente sonhos, coragem, loucura, sentimentos... e muita vontade de ir.
Apercebo-me que o faço não só por necessidade, mas por ímpeto. Os dias que nascem sempre de forma igual durante muito tempo exasperam-me.
Pensei em actualizar o meu blogue e era sobre isto que eu ía falar. Desculpar um pouco a desactualização do meu blogue com a minha mudança de vida... Quando abri o meu blogue fui directamente espreitar a citação que lá estava... E dizia o seguinte:
"Não é na novidade mas no hábito que descobrimos os maiores prazeres"
Radiguet, Raymond
Mais uma vez não quis acreditar... O destino voltou a ser irónico comigo e no meu blogue já é a 3ª vez que isto acontece! Se calhar tenho uma lição a tirar com esta citação... Será?
Curiosamente a minha vida sentimental encaixa perfeitamente na citação de Raymond Radiguet... e ainda hoje não consigo perceber porquê.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Our deepest fear is not that we are inadequate...
.Ilustração de Brian Froud
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‘Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness, that frightens us most. We ask ourselves, ‘Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, and famous?’ Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that people won’t feel insecure around you. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It’s not just in some of us; it’s in all of us. And when we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.’
- Quotation from the film "Akeelah & the Bee" based in Marianne Williamson in Return to Love: Reflections on a Course in Miracles
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Feliz 2009

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
No alto da montanha...

Para Marta de Madrid, a autora desta ilustração que eu adoro!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
O vosso coração ficou quentinho?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Regina Pessoa:
"Tragic Story with Happy Ending"
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Este postal mandou-me a minha sobrinha querida que está na Eslovénia no seu ano Erasmus. Ela conhece bem o meu gosto por arte um tanto ou quanto sórdida :)
Este desenho fez-me lembrar um texto que escrevi quando tinha 18 anos. Já lá vão uns bons anos ;)
O escuro lambeu-me os olhos,
disse-me que estavam molhados.
Passou a mão no meu cabelo,
deitou-se comigo.
Esfregou-se no meu corpo com um abraço,
pediu-me que não tremesse.
Pedi-lhe que fizesse amor comigo...
e foi tão meigo, tão suave e lento.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Mais um passo em direcção a uma grande amizade
Parece que estamos a caminhar para um entendimento :)
Viram o beijinho?
Pois é, a Salsa já dormiu na barriga dele, e até já afincou os dentes na cauda e nas orelhas do Puma! A Salsa que não abuse senão depois vai ter as consequências ;)
Ainda não podemos é tirar o açaime, a trela ou a coleira... Como eu costumo dizer: uma coisa de cada vez!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
O Puma do Parque dos Poetas e a Salsa da Quinta do Manel...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Esperando uma resposta...

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Ilustração de Carla Pott
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Porque estou à espera de uma resposta que nunca mais vem, coloquei esta ilustração. Porque sinto-me assim... a olhar o tempo, a sentir os segundos como picadas.
Depois, calhou olhar para a frase do dia. Li o seguinte:
"Aquilo que não puderes controlar, não ordenes"
Sócrates
Pois, o tempo não posso controlar, nem sequer a resposta que espero.
Deu-me vontade de rir, mas arrepiei-me... As coincidências têm tanto de fantástico como de fantasmagórico, não é?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Durmam descansados ratinhos...

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Porque durante muito tempo os ratinhos fizeram parte da minha vida... Agora já não fazem. Durmam descansados ratinhos!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Dia histórico - 04 Nov. 08
Não podia deixar este dia passar sem expressar o meu contentamento pelo sucedido. Tenho a impressão que é a primeira vez na vida que vibro com umas eleições. Por muitos motivos diferentes, fico feliz com este resultado. Quanto mais não seja por simbolizar a aceitação da mudança e de uma raça diferente da branca.
Com este vídeo, deixo a minha homenagem e os meus parabéns!
