terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Elis Regina, Romaria



O meu irmão mais velho preencheu a minha infância de memórias, como todos os irmãos mais velhos... Conheço esta canção desde essa altura: quando ele a cantava e quando ele me a ensinou. Obrigada :)

No YouTube aparecem outros vídeos em que a voz dela está mais nítida e bonita, mas só neste a encontrei a cantar. E ela canta com tanto sentimento que isso não podia passar despercebido.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tim Burton, The Corpse Bride


Corpse Bride, Piano Duet


Corpse Bride, The final scene


Um bocadinho de um filme que eu achei simplesmente delicioso. Imagens fantásticas, fantasmagóricas e ternurentas. Adoro as cores contrastantes e eléctricas das ilustrações. Quem me dera desenhar assim :)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Palavras de sorte


Iustração de CLAUDIA EMANUELA COPPOLA
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Vou soprar para dentro da minha mão palavras de sorte…
Soprá-las com cuidado para que não se estilhacem nas muralhas dos meus dedos.
Depois vou fechar os olhos e sorrir com certezas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Saudade, saudade...



Adoro esta senhora! A voz forte e doce que embala os sentidos e entorpece a alma...

sábado, 24 de janeiro de 2009

O Puma e a Salsa já são os melhores amigos!!

Conseguimos!!! O Puma e a Salsa já são os melhores amigos! Foi trabalhoso, mas valeu mesmo a pena. A aproximação foi lenta e de início o Puma tinha sempre o açaime e a trela. Ele ficava muito tenso e tentava morder-lhe, mas aos poucos foi descontraíndo e começou a habituar-se à presença dela. Houve um dia em que nos enchemos de coragem: tirámos-lhe o açaime e entretanto tirámos-lhe também a trela...

Este filme foi feito no primeiro dia em que tirámos a trela e o açaime ao Puma. O filme é muito longo, mas aqui estão apenas alguns segundos. Terminou com um espalho muito espalhafatoso da Salsa de cima do sofá por obra e graça do Puma. Achamos que apesar de tudo o saldo foi positivo! :)

Agora continuam os 2 vivos e muito felizes! Brincam imenso e por vezes são mesmo brutos. Abocanham-se, guincham, dão saltos e beijinhos...

O Puma arranjou uma melhor amiga e daqui a uns tempos há-de transformar-se na sua namorada :)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mudar de vida...



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Ilustração de Diego Fermin
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Já não é a 1ª, nem 2ª, nem sequer 3ª vez que dou por mim a mudar de vida... E faço as malas. Umas vezes encho-as de roupa, livros e fotografias. Outras vezes coloco lá dentro simplesmente sonhos, coragem, loucura, sentimentos... e muita vontade de ir.

Apercebo-me que o faço não só por necessidade, mas por ímpeto. Os dias que nascem sempre de forma igual durante muito tempo exasperam-me.

Pensei em actualizar o meu blogue e era sobre isto que eu ía falar. Desculpar um pouco a desactualização do meu blogue com a minha mudança de vida... Quando abri o meu blogue fui directamente espreitar a citação que lá estava... E dizia o seguinte:

"Não é na novidade mas no hábito que descobrimos os maiores prazeres"

Radiguet, Raymond

Mais uma vez não quis acreditar... O destino voltou a ser irónico comigo e no meu blogue já é a 3ª vez que isto acontece! Se calhar tenho uma lição a tirar com esta citação... Será?

Curiosamente a minha vida sentimental encaixa perfeitamente na citação de Raymond Radiguet... e ainda hoje não consigo perceber porquê.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Our deepest fear is not that we are inadequate...

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Ilustração de Brian Froud
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‘Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness, that frightens us most. We ask ourselves, ‘Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, and famous?’ Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that people won’t feel insecure around you. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It’s not just in some of us; it’s in all of us. And when we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others.’
- Quotation from the film "Akeelah & the Bee" based in Marianne Williamson in Return to Love: Reflections on a Course in Miracles
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Decidi colocar esta citação depois de ter visto pela 2ª vez o filme: "Letra por letra". É um filme ternurento e acima de tudo inspirador...
Que esta seja a mensagem que nos guie em 2009 :)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009



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Ilustração de Carla Nazareth
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Vou pedir às estrelas que este 2009 traga dias de paz e alegria para todos.

Que consigamos apreciar o dia a dia, sem pressas, sem receios e com muita vontade de ser e de viver.

Com certeza que vão haver dias menos bons... mas estamos rodeados de familiares, amigos e por isso de amor. E afinal de contas não é o amor o que nos faz sentir melhor?...

Feliz 2009!!!!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

No alto da montanha...


Fotografia de Ana Rita Neves
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"No alto da montanha,

pertinho lá do céu...

Havia um castelinho

onde um rei viveu.

De lá se via o céu,

se via a terra, ao longe o mar...

No alto da montanha

quem me dera lá morar"

Canção Popular Infantil


Quando eu era pequena, a minha irmã cantava-me este canção para eu adormecer. Sempre imaginei que o castelo de que ela falava era o Palácio da Pena. Por isso é para mim um local mágico, que sempre povoou os meus sonhos.

Para Marta de Madrid, a autora desta ilustração que eu adoro!


Ilustração de Marta Chicote
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Um dia ao passear pela net descobri esta ilustração. Fiquei vidrada ao observá-la e guardei-a de imediato. Na altura não me recordo de ter visto o nome da autora e para ser sincera já nem sei bem onde a desencantei. Identifiquei-me de imediato com a menina: sentada na cama, de joelhos apertados contra o peito e de olhos grandes perdidos na lua e em pensamentos. Esta imagem passou a viver no fundo do meu computador, no fundo do meu telemóvel e no fundo do meu coração... Ao olhar esta ilustração inventei um conto e na realidade, senti-me de facto a menina que está sentada naquela cama com o olhar perdido naquela lua e naquela floresta.
Foi por isso, que quando pensei em tirar da gaveta o que escrevo para um blogue, esta imagem surgiu de imediato na minha cabeça como identidade do blogue. Só havia um "pequeno grande" problema... Eu não sabia quem tinha desenhado esta ilustração! Naveguei de novo na net para procurar, mas a única identificação que tinha da imagem era "lua"... Ainda pensei em usar outra ilustração, mas de facto, só esta é que fazia sentido...
E assim ficou a imagem e como autora coloquei: "Continuo à procura da autora!!!"
Mas se eu não encontrei a autora, a autora encontrou-me a mim :)
E fico feliz por isso. Porque posso dizer-lhe o quanto apreciei o seu trabalho, o quanto me inspirou para escrever e para sonhar, o quanto a sua ilustração me apaixonou.
Queria com esta postagem, agradecer à Marta Chicote, a autora desta ilustração. Pelo seu talento, pela sua criatividade e pela sua compreensão...
Por coincidência também me chamo Marta, e as minhas iniciais também são MC (Marta Carapuço :)).
Entretanto removi a ilustração a pedido da autora. E tem toda a lógica. Não quero de maneira nenhuma que haja confusão com a autoria da ilustração.
Por isso, esta postagem é em honra da Marta Chicote.
A seguir vem o texto que escrevi a olhar para a tua ilustração Marta de Madrid (Espanha).
Um grande beijinho da Marta de Sintra (Portugal).
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A minha cama é o tapete voador dos meus sonhos. Junto com força os joelhos ao peito e os meus cabelos voam, porque o meu pensamento viaja longe, para lá das árvores e do negrume do céu. O gato preto mia. Salta para o tapete comigo e espera boleia nestas viagens. Vejo a lua num céu de pontinhos brilhantes. Ela sorri-me sem rosto, só com lábios de luz. Eu olho a lua e ela revê-se no meu olhar… eu sou o outro lado do espelho onde vive a sua alma… calma e gentil com sussurros de vaivém. Houve um dia… que o céu ficou sem lua. Ela não voltou. Ficou presa cá dentro, embalada na água dos meus olhos. Pensou que tinha encontrado o mar… eu expliquei-lhe aflita, que não era aí o seu lar. Mas ela demorou-se a querer ouvir, não quis saber. Lá fora achavam que era Lua Nova e a escuridão da floresta ficava assim decifrada. Os dias passavam e a Lua era apenas um fantasma no céu… As marés não se conformavam. Primeiro desconfiadas a Lua Nova aceitaram, mas lá dentro da sua alma sentiam o engano. O tempo escorria e as ondas desorientaram-se, perderam o rumo… Procuraram inquietas a sua musa em todo o lado. Primeiro buscaram o sorriso de luz dentro das suas águas: indagaram os peixes, os corais e as estrelas-do-mar… Mas depois galgaram praias, penhascos, florestas e estradas. Fizeram-se à terra em busca de orientação. Os homens fugiam incrédulos das terríveis ondas … Os dedos de mar apertavam carros, esmagavam casas, colhiam vidas… deixando apenas um rasto de sal. Eu escondia os olhos com medo… indefesa mas responsável por tal destruição. Pedia ao sorriso de luz por tudo que se soltasse dos meus olhos… que pelo seu descuido outros sofriam. “Não foi descuido”, disse-me a Lua a medo, “Foi amor…” E o meu cabelo desprendia-se em asas que se queriam salvar dos braços de água e sal. Foi então que decidida abracei as ondas de sal e de mar. O sorriso de luz e a água dos meus olhos… iriam ao mar regressar.
Texto de Marta Carapuço
P.S. Espero que gostes do texto :) Bem sei que não falas português, mas se calhar o português escrito fica mais fácil de entender...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O vosso coração ficou quentinho?


Ilustração de Nancy Poydar
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Espero que o vosso Natal tenha sido mágico...
O meu foi. A minha mãe faz questão de nos relembrar ano após ano que o Natal é magia, risos e sobretudo família. E ficamos assim com o coração quentinho, quentinho, mesmo quando a nossa meia já não fica a abarrotar de presentes porque já passámos há muito o estatuto de crianças. Espero por isso que o vosso Natal tenha sido passado com o coração quentinho e que tenham aconchegado e aquecido o coração de outros entre as vossas mãos. Eu tentei fazer a minha parte, mas acima de tudo vou tentar fazê-lo dia após dia... Por isso, desejo-vos um Feliz Natal: o de ontem, o de hoje, o de amanhã, o de todos os dias!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008




Regina Pessoa:
"Tragic Story with Happy Ending"
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Este postal mandou-me a minha sobrinha querida que está na Eslovénia no seu ano Erasmus. Ela conhece bem o meu gosto por arte um tanto ou quanto sórdida :)
Este desenho fez-me lembrar um texto que escrevi quando tinha 18 anos. Já lá vão uns bons anos ;)

O escuro lambeu-me os olhos,
disse-me que estavam molhados.
Passou a mão no meu cabelo,
deitou-se comigo.
Esfregou-se no meu corpo com um abraço,
pediu-me que não tremesse.
Pedi-lhe que fizesse amor comigo...
e foi tão meigo, tão suave e lento.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

MGMT - Kids



Mais uma daquelas que me faz vibrar! :)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mais um passo em direcção a uma grande amizade

Parece que estamos a caminhar para um entendimento :)
Viram o beijinho?
Pois é, a Salsa já dormiu na barriga dele, e até já afincou os dentes na cauda e nas orelhas do Puma! A Salsa que não abuse senão depois vai ter as consequências ;)
Ainda não podemos é tirar o açaime, a trela ou a coleira... Como eu costumo dizer: uma coisa de cada vez!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Puma do Parque dos Poetas e a Salsa da Quinta do Manel...



Puma do Parque dos Poetas
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Ele é o Puma do Parque dos Poetas... vem de uma nobre linhagem de corajosos! Pelo menos foi o que nos disse o criador. Nasceu faz no dia 4 de Janeiro 3 anos.
É um cão simpático para as pessoas, mas não pegajoso e carente de festas. Gosta do seu espaço e da sua independência... Ele é brincalhão, sempre pronto a ajudar nas pequenas e grandes tarefas. Aliás, faz mesmo questão de participar em tudo o que fazemos: nas obras da casa, a cultivar plantas aromáticas, a arranjar os vasos, a escavar buracos, a semear a relva, a regar as plantas, a lavar o pátio... enfim! Ajuda demais!!!
Faz-nos rir muito e muitas vezes. Fora o facto de se eriçar com tudo o que tem 4 patas, é o cão perfeito!
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Salsa da Quinta do Manel
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Entretanto, perguntaram-nos.... Não querem uma namorada para o Puma?
Primeiro gelei, simplesmente porque me lembrei da pouca afinidade que o Puma tem por outros com 4 patas...
Mas depois, achámos que ele tem de contrariar esta tendência ou arrisca-se a morrer virgem!
E foi então que surgiu nas nossas vidas a Salsa da Quinta do Manel, nascida no dia 15 de Outubro de 2008. Apesar de não ter uma linhagem nobre, demos-lhe um nome composto como aquele que o Puma trazia :)
Escolhemos a Salsa depois de batermos as palmas e ela ser a única da ninhada a olhar para nós em tom de desafio em vez de fugir como as irmãs. Sim, escolhemos uma fémea destemida já a pensar naquilo que ela tem de enfrentar.
Chegámos a casa e arranjámos-lhe um caixotinho com um tapete num cantinho da despensa.
Apesar de muito destemida, passou 2 noites a fio a ganir que nem uma alucinada! Não queriamos acreditar na nossa sorte, nem nos lembrávamos do Puma alguma vez ter sido assim... Felizmente que ao terceiro dia ficou afónica e já conseguimos dormir convenientemente. Também deve ter ajudado a mantinha extra, o saco de água-quente e o leitinho quente com cérélac...
Agora já corre feita maluca pela casa atrás dos bonecos, e já temos que ralhar por que nos mordisca constantemente os pés, as calças e os dedos. Desta vez já vamos ser muito mais rígidos na educação... suponho que seja assim também com os filhos, não é?
Entretanto, levámos os cães ao "pediatra" (como diz a minha irmã, ihihih) e ele confirmou-nos que o Puma é um cão muito dominante e que por isso vamos ter um trabalho extra em ambientá-lo à Salsa.
Desde sábado que andamos a passear "em família"a fazer coisas que o Puma gosta para ele se habituar à presença dela. Estamos de novo a usar a trela e as correcções que ele aprendeu na escola: junto, fica, não, senta, deita, etc. Temos a dizer que os esforços têm compensado, porque pelo menos já não se atira a ela feito doido cada vez que a vê... Claro que a coleira de bicos, a trela e o açaime é essencial...
Enfim, haja esperança e paciência, muita paciência! A ver se se tornam os melhores amigos!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Esperando uma resposta...



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Ilustração de Carla Pott
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Porque estou à espera de uma resposta que nunca mais vem, coloquei esta ilustração. Porque sinto-me assim... a olhar o tempo, a sentir os segundos como picadas.
Depois, calhou olhar para a frase do dia. Li o seguinte:

"Aquilo que não puderes controlar, não ordenes"
Sócrates

Pois, o tempo não posso controlar, nem sequer a resposta que espero.
Deu-me vontade de rir, mas arrepiei-me... As coincidências têm tanto de fantástico como de fantasmagórico, não é?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Durmam descansados ratinhos...




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Ilustração de MEHRDOKHT AMINI
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Porque durante muito tempo os ratinhos fizeram parte da minha vida... Agora já não fazem. Durmam descansados ratinhos!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dia histórico - 04 Nov. 08



Não podia deixar este dia passar sem expressar o meu contentamento pelo sucedido. Tenho a impressão que é a primeira vez na vida que vibro com umas eleições. Por muitos motivos diferentes, fico feliz com este resultado. Quanto mais não seja por simbolizar a aceitação da mudança e de uma raça diferente da branca.

Com este vídeo, deixo a minha homenagem e os meus parabéns!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Halloween


Ilustração de David Wenzel

Noite de Halloween


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Ilustração de Nicoletta Ceccoli
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Ela surgiu numa noite como esta, em que os mundos do visível e do invisível se tocam e entrelaçam os dedos como por magia…
Eu estava quieta esperando qualquer coisa… mas só a tristeza se movia.
Ela, feita de vazios e enganos, era uma pintura de cores cruéis.
Eu sentia o perfume que a envolvia. A sua fragrância espalhava-se pelos montes, inebriava os ventos.
Nisto, um penhasco desenhou-se a seus pés. Um mar surgiu grande e revolto… Um vento foi chamado do nada, e rodopiava-a, chamava-a para o abismo.
Ela atirou com o manto que a cobria. Lançou para trás o seu cabelo revolto, e com um olhar acalmou o vento.
Como pôde ela com um olhar acalmar o vento?
Ela desenhava gestos pedindo ao vento que a deixasse voar no seu seio… mas estes gestos surgiam pesados e ocos. O silêncio tornava-se desagradável. O tecido branco que a moldava adormecia em afagos no seu corpo.
Vi então que se virou de costas para o penhasco, tão lenta quanto o seu desejo o permitia. Chegou-se ao abismo e simplesmente deitou-se no vazio… esperando uns braços mudos que a agarrassem.
Ela caía pesadamente como rocha que se desprende. E sei que mesmo ao sentir o mar, ela esperava uns braços mudos que a levassem.
A sua presença foi ignorada pelos ventos… Tudo o que surgia era puro acaso, pura coincidência de imagens.
Dela ficou o perfume e mesmo esse voou para longe.
Nada morreu com ela…

sábado, 25 de outubro de 2008

A morte saíu à rua, Zéca Afonso



Esta é em tua honra querida Isabel, e em honra do nosso secundário :) Inesquecíveis anos :)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


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Ilustração de Benjamin Lacombe
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Hoje, sem querer, colou-se aos meus dedos uma foto tua.
Deu-me saudades de ti.
Da tua presença, da tua voz, dos teus olhos, da tua pele, dos teus cabelos ruivos.
Estás como estavas sempre. Serena, misteriosa, profunda e terrivelmente bonita.
Do lado de lá, olhas-me nos olhos sem o saberes… Com o verde de mil esmeraldas encerradas numa arca de tesouros.
Tranquilamente descansa nos teus braços a tua alma de gato… gentia, escura, traidora mas impossível de lhe resistir.
Fico a olhar-te de fora e invoco a tua presença.
Mergulho nos teus cabelos ruivos… Com os meus dedos transformo esses fios de fogo numa manta de retalhos que cobre o meu corpo, que invade o meu pensamento.
Esses fios de fogo queimam a minha pele e ferem, marcando a tua presença em mim, de uma forma inesquecível, impossível de calar o eco.
Esfrego o meu rosto no teu vermelho e na tua pele que cheira a talco, a mel, a afagos.
Que saudades… de te abraçar e gentilmente conservar a tua luz no meu peito. Que saudades de te sentir cá dentro a pulsar com muita força, como coração que batesse.
E o teu sangue, vermelho como o cabelo, preenche o azul das minhas veias e torna-as uma vez mais de fogo também.